
Carreira em TI: burnout e idade, temas pouco discutidos
Falar sobre carreira em TI geralmente é falar sobre oportunidade, por exemplo, “ah, o mercado está aquecido”, ou “a demanda por profissionais qualificados não pára de crescer”, e também “os salários estão entre os mais atrativos do país”. Mas por trás dessa aparência promissora, existe um lado mais silencioso — e muitas vezes ignorado: o esgotamento mental dos devs e o impacto do envelhecimento da mão de obra em uma área que valoriza (quase obsessivamente) a juventude.
Índice de Conteúdo:
- Já sentiu uma pressão ou cobrança pela idade?
- A romantização do cansaço
- O tabu do envelhecimento na carreira em TI
- O mito da obsolescência
- Sustentabilidade da carreira em TI: uma conversa necessária
- O que fazer na prática?
1. Estabelecer limites
2. Investir em saúde mental
3. Valorizar a sua experiência
4. Aprender com um objetivo
5. Construir redes com diversidade geracional - O futuro da tecnologia também é sobre gente — e você sabe disso!
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Já sentiu uma pressão ou cobrança pela idade?
Se você trabalha com tecnologia, já deve ter sentido, em algum momento, a cobrança constante por estar atualizado, a pressão por entregas rápidas e a sensação de que está sempre correndo atrás. E se você já passou dos 35 ou 40 anos, talvez também tenha percebido um certo “preconceito invisível” com profissionais mais experientes.
Vamos falar abertamente sobre esses temas, porque, sim, o burnout é real. E outra vez, sim, envelhecer na área de tecnologia ainda é um tabu. Mas é possível mudar esse cenário, começando pela consciência.
A romantização do cansaço

Durante muito tempo, a cultura das startups e do “tech lifestyle” vendeu a ideia de que programar de madrugada, virar noites entregando features e viver em modo sprint era um sinal de comprometimento — ou até de paixão pelo que se faz. Certeza que agora mesmo, você até escutou a sua mãe, filha/filha ou esposa/marido falando: “deixa de programar e vem dormir!”
Então, a conta chegou.
Nos últimos anos, os casos de burnout em profissionais de TI cresceram alarmentemente. E isso não é somente uma sensação, já que diversos estudos e pesquisas internacionais apontam a área de tecnologia como uma das mais propensas ao esgotamento mental, ao estresse crônico e aos transtornos de ansiedade.
Motivos? Temos:
- Carga de trabalho alta e mal distribuída;
- Prazos irrealistas;
- Falta de reconhecimento;
- Gestão ineficiente;
- Isolamento em ambientes remotos;
- Pressão por aprendizado contínuo;
- Insegurança em relação ao futuro (IA, automações, cortes de custo)
Esse ambiente tóxico não afeta só a saúde mental, ele também impacta diretamente a qualidade do código, o desempenho das equipes e a capacidade de inovação das empresas.
O tabu do envelhecimento na carreira em TI

Enquanto outros setores valorizam a experiência, em tecnologia parece que envelhecer virou sinônimo de estar ultrapassado. O culto ao “dev sênior de 25 anos” criou uma cultura onde a senioridade é medida por domínio de frameworks e não por visão de produto, capacidade de tomada de decisão ou maturidade para lidar com crises.
Muitos profissionais talentosos acabam sendo ignorados em processos seletivos por estarem “fora do perfil”, mesmo tendo uma bagagem técnica e humana valiosíssima. E isso levanta uma pergunta importante: como manter uma carreira sustentável em uma área que parece não valorizar quem envelhece dentro dela?
O mito da obsolescência
Um dos maiores medos dos profissionais de tecnologia é “ficar para trás”. Afinal, surgem novos frameworks, linguagens, ferramentas e metodologias o tempo todo. Mas será que é mesmo necessário aprender tudo, o tempo todo? A resposta é: não.
É claro que se manter atualizado é parte da profissão. Mas isso não significa acompanhar toda e qualquer tendência que surgir. Muito menos viver com a sensação de estar sempre atrasado.
Profissionais mais experientes, com capacidade de análise crítica, visão estratégica e domínio de fundamentos sólidos (como algoritmos, arquitetura de software e engenharia de requisitos) continuam sendo altamente valiosos — mesmo que não saibam tudo sobre o último framework da moda.
Sustentabilidade da carreira em TI: uma conversa necessária

Chegou a hora de falar sobre carreira em tecnologia com mais maturidade. E isso passa por reconhecer que trabalhar até o limite não é sinônimo de produtividade, que os profissionais experientes não são menos capazes e, na verdade, são essenciais, assim como falar sobre o fato de a saúde mental não ser sinônimo de fraqueza, e sim uma responsabilidade individual e social. Por último, o fato de planejar uma carreira de longo prazo inclui saber parar, descansar e até mudar de direção quando necessário.
Existem cada vez mais empresas conscientes que estão abrindo espaço para conversas sobre bem-estar, diversidade geracional e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Mas essa mudança precisa ser alimentada também de dentro para fora, pelos próprios profissionais de TI.
O que fazer na prática?

Se você se identificou com alguma parte desse texto — e temos quase certeza de que sim — aqui vão algumas atitudes práticas para começar a repensar sua relação com o trabalho:
1. Estabelecer limites
Trabalhar com tecnologia não precisa (e não deve) significar estar online o tempo todo. Por isso, aprenda a dizer não, respeite seus horários e desligue as notificações quando for preciso. Seu cérebro também precisa de descanso para funcionar bem. Escutou — de novo — a sua mãe, filha/filha ou esposa/marido falando?
2. Investir em saúde mental
Se você sente sintomas de esgotamento como falta de motivação, irritabilidade, insônia ou dificuldade de concentração, procure ajuda profissional. Psicoterapia, exercícios físicos e boas práticas de autocuidado são tão importantes quanto qualquer curso de tecnologia.
3. Valorizar a sua experiência
Não caia na armadilha de achar que só os mais jovens têm espaço. A sua bagagem, visão crítica e sua capacidade de tomar decisões com base em vivência prática são ativos valiosos. Mostre isso nos seus projetos, nas entrevistas, nas mentorias e nas interações com o time.
4. Aprender com um objetivo
Não se cobre por saber tudo, escolha com inteligência no que investir seu tempo. Foque em aprender o que realmente faz sentido para seu momento de carreira — seja técnico, de produto, de gestão ou de negócio.
5. Construir redes com diversidade geracional
Procure ambientes onde há troca entre gerações, devs mais jovens trazem energia e velocidade, já os profissionais mais experientes trazem profundidade e visão sistêmica. Quando esses mundos se encontram, todos crescem.
O futuro da tecnologia também é sobre gente — e você sabe disso!

Sim, a tecnologia muda rápido, mas as pessoas continuam sendo o centro de tudo. E uma carreira em TI sustentável não se constrói só com código: se constrói com saúde mental, respeito à trajetória individual e ambientes que acolhem a diversidade, inclusive a etária.
Se você está começando, cuide para não entrar no ritmo do esgotamento desde cedo. Se você já está na estrada há mais tempo, saiba que seu valor vai muito além das linguagens que você domina hoje.
A gente precisa falar mais sobre isso. Porque construir o futuro da tecnologia também é sobre construir um presente mais humano.
O que você pensa sobre esse tema? Quer compartilhar alguma experiência? Esperamos pelos seus comentários!
2 Comentários
Ótimo post! Existe uma idade máxima que pode se migrar pra TI?
Olá! Agradecemos pelo seu comentário. Não existe uma idade máxima para migrar para TI; o que importa é a vontade de aprender e se adaptar. A experiência é um grande ativo nesse campo! 😊